15 de dezembro de 2010

1ºMandamento: Conhece bem o homem que tens!

Minhas queridas,
Devido aos tempos que correm, tomei medidas para facilitar o acesso às consultas, baixando significativamente os meus honorários (segundo as regras da boa educação, on ne doit pas parler d'argent, mais... infelizmente, não podemos escapar a certas realidades). Dentro do mesmo espírito, ofereço-vos hoje, gratuitement, alguns conselhos de minha querida avó que espero vos possam estimular a encontrar formas de manter, ou recuperar, o interesse dos vossos maridos...

"Subindo na esphera social, os homens educam-se na arte de saber apreciar uma senhora bem vestida e elegante, chegando mesmo a serem no assumpto tanto ou mais entendedores do que nós. Mas...mesmo neste meio se encontram homens caprichosos. A seguinte história verdadeira que vou contar dá uma frisante idéa d'esses caprichos.
Z., era uma formosa e distincta menina que aos vinte annos de idade casou com o sr. X., um bello rapaz muito fino e bem educado que, exercendo a profissão de engenheiro, passara o melhor da sua mocidade no norte do paiz, em varios trabalhos do caminho de ferro.

Depois de casado fôra com a esposa para Vianna do Castello, e ahi, esquecido de que aquella a quem unira o seu destino era nova, formosa, amoravel e terna, dava-se a repetidas aventuras com as cachopas da localidade, não ocultando à mulher quanto gostava d'aquelles trajos viannenses, as meias brancas arrendadas, as chinellas de polimento, o lenço traçado no peito e as saias de côres garridas.
A menina Z., era uma elegante por educação e por tendencia. Possuindo bens de fortuna, calçava por casa meias de seda pretas, sapatos de pelica de lustre, e usava lindos robes de chambre que ficavam maravilhosamente à sua suggestiva formosura.
Na visita que lhe fiz a Vianna contou-me muito desgostosa e ardendo em ciumes, as infidelidades do marido que muito amava. Ouvi-a em silencio, e quando ella terminou deixando-me antever as intenções de uma separação, disse-lhe:-E porque não te vestes tu como as raparigas da terra? Que idéa! exclamou rindo. Experimenta. Talvez isto te pareça uma graça, mas é bem possivel que teu marido seja mais dominado pelo capricho do vestuario do que pelo desejo de te atraiçoar.
Ella ficou pensativa, e passado algum tempo apresentou-se antes do almoço vestida como as raparigas da terra.
O marido ficou contentissimo com a surpreza e tal impressão ella lhe causou, que a chamou á sua alcova e febril de enthusiasmo praticou o acto conjugal assim vestida como ella estava.
Á noite repetiu o acto, e consecutivamente, acabando por declarar-lhe que não podia ver uma mulher com meias pretas, e que assim com aquele trajo é que gostava de a gozar!
As suas infidelidades acabaram, e quando vieram para Lisboa, a esposa nunca mais deixou de usar por casa meias brancas e chinelinhas de polimento!!

Este homem intelligente, distincto, bem educado e fino, não gostava de exercer a copula com a mulher despida! Outros ha que são exactamente o contrario, incomodando-os ainda mesmo a mais leve camisa de seda.
... A grande arte da mulher consiste em estudar com toda a sagacidade e subtileza que Deus lhe deu, o caracter do homem, seus caprichos e tendencias.
Do desconhecimento d'estas cousas, quer ella seja por deficiencia de intelligencia, quer por desleixo propositado, resultam mais de dois terços dos esposos e amantes mal unidos que existem no mundo."

Apliquem-se, minhas senhoras, e à bientôt,
Condessa de Til